O documentário que ganhou o Oscar traz imagens repulsivas e revoltantes - me deu ânsia de vômito. Não chorei compulsivamente assim diante de quase mais nada. Revolta, impotência, indignação, e por fim ódio.
O filme conta o que se passa num vilarejo japonês chamado Taiji. Uma cidadezinha com desenhos e estátuas de baleias e golfinhos por toda a parte. Um lugarejo que abriga um museu de baleias (ou melhor dizer, de caça às baleias). Um lugar que esconde um segredo tão terrível que aqueles que atrevessem a desmascará-lo poderiam não sair de lá com vida...
O diretor Louie Psihoyos, que também é mergulhador, começou a notar ao longo dos anos um decréscimo na quantidade de vida marinha nos locais em que mergulhava ano após ano. E fundou uma organização chamada Oceanic Preservation Society. E começaram a documentar vida marinha em recifes de corais no mundo. Um dia ele foi à uma conferência sobre mamíferos marinhos em San Diego. Os participantes eram cerca de 2000 especialistas da área. Ric O'Barry deveria ser um dos palestrantes principais.
No último momento, os patrocinadores do evento retiraram Ric do programa. Os tais patrocinadores eram o Sea World (todos aí lembram do caso da orca e da tratadora? Então, eles...). Ric O´Barry faria uma palestra contra a manutenção desses animais em cativeiro... Segundo o próprio Ric, um grande número dos cientistas que estudam esses animais obtém financiamento do braço não-lucrativo do Sea World, chamado Hubbs-Sea World Reaserch Institute.
Foi assim que Louie ficou sabendo da matança de golfinhos que acontece todos os anos em Taiji.
A ironia disso tudo é que Ric O´Barry foi uma das assumidades mundiais em treinamento de golfinhos. Ele era o treinador de Flipper, lembram-se? Ele ajudou a capturar os golfinhos que seriam Flipper na natureza e os trouxe para o cativeiro.
O documentário inteiro gira em torno de todas as tramóias que eles precisaram armar para burlar a vigilância do governo japonês e conseguir imagens absolutamente incriminatórias como prova daquilo que aquele governo vem veementemente negando ao longo dos anos.
O diretor inclui entrevistas e depoimentos de outros ativistas do tipo mão-na-massa, como o meu antigo herói Paul Watson, co-fundador do Greenpeace e expulso do mesmo por seus métodos anti-convencionais de protesto. Paul hoje comanda os Sea Sheperds, de quem já falei aqui diversas vezes. Paul menciona as organizações ambientais "mais convencionais" tipo o Greenpeace, WWF e outros que juntos arrecadam milhões de dólares anualmente e fazem por** nenhuma para denunciar a matança de Taiji. Watson, por sua vez, levou um de seus barcos a Taiji. Foram presos e expulsos e jamais podem voltar ao Japão. Watson hoje se dedica a combater cara a cara a matança de baleias por parte dos japoneses no território antártico (tem até o programa Guerra de Baleias no Animal Planet, sobre o qual já falei diversas vezes também), a matança de tubarões mundo afora e a matança de focas no Canadá...
Mas voltando... O filme vai mostrando a operação de guerra que foi montada, usando tecnologia militar e até especialistas em efeitos especiais para cinema para enfiar câmeras de alta definição em imitações de pedras.
Quando conseguem instalar todo o material, conseguem finalmente obter as imagens que causam muito mal estar. Os golfinhos capturados neste local (The Cove, como eles chamam) são mortos um a um, da maneira mais brutal possível. Sua carne é vendida clandestinamente, uma vez que o povo japonês (entrevistado nas ruas das grandes cidades japonesas) não tem nem conhecimento de que golfinhos são comestíveis... A carne é distribuída como carne de baleia, ou, como o plano do prefeito de Taiji, seria distribuída gratuitamente na merenda das escolas de todo o país.
O que os realizadores do flime ressaltam também é que a carne de golfinho é extremamente contaminada por mercúrio, que se acumula na cadeia alimentar.
O filme também mostra imagens de reuniões da IWC (Comissão Internacional de Caça às Baleias, que regulamenta a caça no mundo todo, e que impôs em 1986 a moratória por período indeterminado de caça às baleias, moratória essa que a Noruega - VERGONHA - Islândia e Japão ignoram, sendo que o Japão usa a desculpa de fins científicos para a caça. Quase todo o planeta se opõe a essa prática, inclusive o Brasil, que aparece no filme falando da pouca vergonha que são as desculpinhas japonesas). Mostram como o Japão vem recrutando nações desesperadamente pobres para votar a seu favor, dando-lhes dinheiro.
Enfim, nunca senti um embroglio tão grande. E um ódio mortal, não pelos japoneses, mas pelo seu governo patético. Isso precisa parar. E a única forma de conseguir isso é fazendo barulho. A Academia prestou um serviço gigantesco à essa causa dando a estatueta a esse documentário. A entrega do prêmio foi vista por bilhões, e deve ter despertado a curiosidade de alguns - meu caso. O que eu posso fazer pra ajudar, no momento, é divulgar... Por isso uso este espaço.
Assistam a este filme, contem a todos os amigos, e se você tem amigos ou familiares no Japão, recomendem. Porque se o povo japonês se levantar contra essa atividade, é um grande passo em direção ao fechamento dessa indústria. Já deve existir cópia em DVD, senão, mande um comentário com seu e-mail e eu mando o filme de presente... Prometo que não publico seu e-mail.
Pra terminar, uma musiquinha do a-ha, lançada em 1986, quando eles já pensavam nas baleias...
A música, pra meu deleite, está incluída no set list da tour de despedida, e se chama "We're looking for the Whales". Esse vídeo é do show do Citibank Hall no Rio, sábado à noite.
O filme conta o que se passa num vilarejo japonês chamado Taiji. Uma cidadezinha com desenhos e estátuas de baleias e golfinhos por toda a parte. Um lugarejo que abriga um museu de baleias (ou melhor dizer, de caça às baleias). Um lugar que esconde um segredo tão terrível que aqueles que atrevessem a desmascará-lo poderiam não sair de lá com vida...
O diretor Louie Psihoyos, que também é mergulhador, começou a notar ao longo dos anos um decréscimo na quantidade de vida marinha nos locais em que mergulhava ano após ano. E fundou uma organização chamada Oceanic Preservation Society. E começaram a documentar vida marinha em recifes de corais no mundo. Um dia ele foi à uma conferência sobre mamíferos marinhos em San Diego. Os participantes eram cerca de 2000 especialistas da área. Ric O'Barry deveria ser um dos palestrantes principais.
No último momento, os patrocinadores do evento retiraram Ric do programa. Os tais patrocinadores eram o Sea World (todos aí lembram do caso da orca e da tratadora? Então, eles...). Ric O´Barry faria uma palestra contra a manutenção desses animais em cativeiro... Segundo o próprio Ric, um grande número dos cientistas que estudam esses animais obtém financiamento do braço não-lucrativo do Sea World, chamado Hubbs-Sea World Reaserch Institute.
Foi assim que Louie ficou sabendo da matança de golfinhos que acontece todos os anos em Taiji.
A ironia disso tudo é que Ric O´Barry foi uma das assumidades mundiais em treinamento de golfinhos. Ele era o treinador de Flipper, lembram-se? Ele ajudou a capturar os golfinhos que seriam Flipper na natureza e os trouxe para o cativeiro.
O documentário inteiro gira em torno de todas as tramóias que eles precisaram armar para burlar a vigilância do governo japonês e conseguir imagens absolutamente incriminatórias como prova daquilo que aquele governo vem veementemente negando ao longo dos anos.
O diretor inclui entrevistas e depoimentos de outros ativistas do tipo mão-na-massa, como o meu antigo herói Paul Watson, co-fundador do Greenpeace e expulso do mesmo por seus métodos anti-convencionais de protesto. Paul hoje comanda os Sea Sheperds, de quem já falei aqui diversas vezes. Paul menciona as organizações ambientais "mais convencionais" tipo o Greenpeace, WWF e outros que juntos arrecadam milhões de dólares anualmente e fazem por** nenhuma para denunciar a matança de Taiji. Watson, por sua vez, levou um de seus barcos a Taiji. Foram presos e expulsos e jamais podem voltar ao Japão. Watson hoje se dedica a combater cara a cara a matança de baleias por parte dos japoneses no território antártico (tem até o programa Guerra de Baleias no Animal Planet, sobre o qual já falei diversas vezes também), a matança de tubarões mundo afora e a matança de focas no Canadá...
Mas voltando... O filme vai mostrando a operação de guerra que foi montada, usando tecnologia militar e até especialistas em efeitos especiais para cinema para enfiar câmeras de alta definição em imitações de pedras.
Quando conseguem instalar todo o material, conseguem finalmente obter as imagens que causam muito mal estar. Os golfinhos capturados neste local (The Cove, como eles chamam) são mortos um a um, da maneira mais brutal possível. Sua carne é vendida clandestinamente, uma vez que o povo japonês (entrevistado nas ruas das grandes cidades japonesas) não tem nem conhecimento de que golfinhos são comestíveis... A carne é distribuída como carne de baleia, ou, como o plano do prefeito de Taiji, seria distribuída gratuitamente na merenda das escolas de todo o país.
O que os realizadores do flime ressaltam também é que a carne de golfinho é extremamente contaminada por mercúrio, que se acumula na cadeia alimentar.
O filme também mostra imagens de reuniões da IWC (Comissão Internacional de Caça às Baleias, que regulamenta a caça no mundo todo, e que impôs em 1986 a moratória por período indeterminado de caça às baleias, moratória essa que a Noruega - VERGONHA - Islândia e Japão ignoram, sendo que o Japão usa a desculpa de fins científicos para a caça. Quase todo o planeta se opõe a essa prática, inclusive o Brasil, que aparece no filme falando da pouca vergonha que são as desculpinhas japonesas). Mostram como o Japão vem recrutando nações desesperadamente pobres para votar a seu favor, dando-lhes dinheiro.
Enfim, nunca senti um embroglio tão grande. E um ódio mortal, não pelos japoneses, mas pelo seu governo patético. Isso precisa parar. E a única forma de conseguir isso é fazendo barulho. A Academia prestou um serviço gigantesco à essa causa dando a estatueta a esse documentário. A entrega do prêmio foi vista por bilhões, e deve ter despertado a curiosidade de alguns - meu caso. O que eu posso fazer pra ajudar, no momento, é divulgar... Por isso uso este espaço.
Assistam a este filme, contem a todos os amigos, e se você tem amigos ou familiares no Japão, recomendem. Porque se o povo japonês se levantar contra essa atividade, é um grande passo em direção ao fechamento dessa indústria. Já deve existir cópia em DVD, senão, mande um comentário com seu e-mail e eu mando o filme de presente... Prometo que não publico seu e-mail.
Pra terminar, uma musiquinha do a-ha, lançada em 1986, quando eles já pensavam nas baleias...
A música, pra meu deleite, está incluída no set list da tour de despedida, e se chama "We're looking for the Whales". Esse vídeo é do show do Citibank Hall no Rio, sábado à noite.
We're Looking for the Whales
Magne Furuholmen / Paul Waaktaar-Savoy
Magne Furuholmen / Paul Waaktaar-Savoy
One left low left two who left high
They seem so hard to find
Three came twice took once the time
To search
We’re looking for a little bewildered girl
We’re looking for a little bewildered girl
We’re looking for the whales
Restlessness is in our genes
Time won’t wear it off
Born into this world with our eyes wide open
Girl
We’re looking for a little bewildered girl
We’re looking for a little bewildered girl
We’re looking for the whales
I found angels beached outside your doors
Don’t you set those lonely eyes on me
We’re looking for the whales
We’re looking for the whales





10 comentários:
Vou divulgar no meu blog, assim a gente espalha. Posso publicar o seu post na íntegra? Claro, dizendo que é seu e linkando.
Fiquei horrorizada com isso. Ainda não tive coragem de ver o filme, acho que dá pra baixar, mas vi a história e já fiquei enojada, mas vou arrumar coragem pra ver.
Beijo
Meu Deus, quanta barbaridade!
Isso tem mesmo que ser divulgado e vou mandar agora mesmo para um amigo japonês este vídeo. E ele ainda diz qu o país dele é maravilhoso!
Tá bom!
bjs cariocas
Oi Camélia
É isso aí, enquanto tiver gente no mundo que goste de usar peles, comer golfinho, se enfeitar com dentes e penas de bichos silvestres, achar que foie grass (é assim que escreve) é um patê inocente e que tudo bem um monte de coisas, ou ainda, um número absurdo de gente "ignorante" destes assuntos, a coisa vai continuar.
Eu não vou assistir esse documentário por que esse tipo de imagem me faz mal, muito mal. Fico dias deprimida e traumatizada com a violência. Mas também não preciso desse tipo de sensibilização. Mas vou linkar sua postagem no Facebook, para que outras pessoas possam assistir.
A violência é realmente muito banal, não? Seja com gente, seja com bicho... Que droga de homem pré-histórico truculento que gerou tantos decendentes nesse mundo!
Mas parabéns por se envolver tanto nesses assuntos e divulgá-los. É gente como você, não biólogos ou ambientalistas que tem o poder de mudar as coisas. Muitos nos associam a ecochatos, mas quando é alguém de fora que fala, consegue inserir a discussão no meio de grupos que nunca pararam pra pensar sobre o assunto. Continue deixando nosso planetinha melhor!!!
Beijos,
Tietta Pivatto
Oi Camila, acabei de postar seu post na íntegra. Pedi para postar na íntegra porque sei que poucas pessoas clicam no link para visitar o original e ler o post todo. Vou ver se consigo divulgar no facebook. Não sei se conheco algum japonês, mas vou procurar na escola, quem sabe não encontro.
Beijo
Querida Camila....sem comentário o show de ontem.....assista a este video e veja o que te espera em dezembro
http://www.youtube.com/watch?v=CyzaM597pPI
Oi Camila, cheguei aqui pelo blog da Luciana , e tb queria pedir permissão para divulgar o seu texto no meu blog...
bjs,
Bia
Camilitcha,
adoro tua postura apaixonada, primeiro em defesa das baleias e golfinhos, arrasou! É isso mesmo, não deixa barato...
E claro, tua postura apaixonada e fiel, não há uma postagem nesse blog sem menção ao A-Ha, ô moça apaixonada. Nunca vi ninguém assim...
Ah, adorei tua crítica ao prêmio americano de cinema, morri de rir, espero que você desista de ver os Oscars em breve, e depois ao festival de filmes bobos que eles apresentam. Aquela gente é totalmente uó, não vale uma noite sem sono...
Estamos indo, em busca de alguma vida, mas aos poucos eu volto ao mundo!
Beijinho,
C.
Oi, Camila. Li seu post no blog da Luciana, que achei ótimo ela divulgar assim. Geralmente as pessoas não lêem mesmo os links sugeridos...Mas vou tentar e colocar no meu blog.
Parabéns por você divulgar coisas assim!
Menina, é de fazer chorar mesmo. Se caça as baleias já é uma tristeza sem fim, a destruiçao dos golfinhos de tal maneira é indescritivel.
Camilíssima.
O que dizer da realidade mostrada nesse documentário?
Revoltante? Rpeugnante? Raiva!!!
ODEIO a maldita zona de conforto pois é ela que, em todas as formas de alcance, faz com que as pessoas fechem os olhos para todos os tipos de atrocidades praticadas contra seres humanos e animais.
É só pensar: se as pessoas não se incomodam com escravidão, mutilações, torturas impostas a pessoas iguais a nós, não chega a me surpreender, infelizmente, que elas fiquem impassíveis diante de sofrimentos praticados contra animais!
E meu espírito de inconformismo não vem de hoje: quando eu tinha 8 anos - hoje tenho 32 =) - eu fiz um abaixo assinado para pedir pelo fim da caça às baleias! Tudo porque assisti a uma reportagem - no Globo Repórter - sobre a matança de baleias. Lembro que cenas até nem foram "tão chocantes" mas causaram impacto bastante para que eu, uma pirralha naquela época, ficasse sensibilizada e revoltada, querendo fazer algo!!!
Será que vc pode mandar o filme para mim???
Abraço e parabéns pela sua casa virtual!!!
meu email
jux_freedom@yahoo.com.br
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